{"id":2294,"date":"2026-06-23T13:26:26","date_gmt":"2026-06-23T13:26:26","guid":{"rendered":"https:\/\/scoring.pt\/magazine\/?p=2294"},"modified":"2026-06-23T13:26:26","modified_gmt":"2026-06-23T13:26:26","slug":"os-desafios-da-competitividade-e-resiliencia-empresarial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/scoring.pt\/magazine\/os-desafios-da-competitividade-e-resiliencia-empresarial\/","title":{"rendered":"\u201cOs Desafios da Competitividade e Resili\u00eancia Empresarial\u201d"},"content":{"rendered":"<p>Em abril, Lisboa e Porto tornaram-se palco de uma reflex\u00e3o estrat\u00e9gica sobre o futuro do tecido empresarial portugu\u00eas. A SCORING reuniu especialistas de diferentes \u00e1reas para duas confer\u00eancias sob o tema \u201cOs Desafios da Competitividade e Resili\u00eancia Empresarial\u201d, que evidenciaram uma mudan\u00e7a clara: hoje, a performance financeira j\u00e1 n\u00e3o pode ser dissociada da sustentabilidade e do bem-estar organizacional.<\/p>\n<p>A primeira sess\u00e3o decorreu a 16 de abril no Centro Cultural de Bel\u00e9m, reunindo l\u00edderes empresariais e especialistas em ESG e gest\u00e3o. Uma semana depois, a 23 de abril, o debate seguiu para o Casa da M\u00fasica, ampliando o alcance da discuss\u00e3o e refor\u00e7ando a import\u00e2ncia de um di\u00e1logo nacional sobre estes temas.<\/p>\n<p>Ao promover estas confer\u00eancias, a SCORING refor\u00e7a o seu posicionamento como um <em>player<\/em> relevante na interse\u00e7\u00e3o entre gest\u00e3o, sustentabilidade e bem-estar organizacional. A empresa tem vindo a destacar-se pela an\u00e1lise do tecido empresarial e pela cria\u00e7\u00e3o de ferramentas que apoiam a tomada de decis\u00e3o estrat\u00e9gica.<\/p>\n<p>A SCORING aproveitou ainda para apresentar a plataforma <strong>ESG Lab<\/strong> e o novo <strong>Programa de Reconhecimento Empresarial<\/strong> para empresas que evidenciem serem competitivas e resilientes, assente em tr\u00eas pilares: sustentabilidade financeira, desempenho ESG, e bem-estar e felicidade organizacional. Mas sobre estes lan\u00e7amentos, abordaremos mais \u00e0 frente, neste artigo. Para j\u00e1, vejamos o que foi discutido nas Confer\u00eancias.<\/p>\n<p>Cada uma das confer\u00eancias dividiu-se em 3 \u00e1reas tem\u00e1ticas, discutidas com especialistas na \u00e1rea, moderadas por Calos Gouveia, CEO da SCORING, \u00e0s quais se seguiram a apresenta\u00e7\u00e3o dos novos produtos atr\u00e1s referidos.<\/p>\n<p>Carlos Gouveia defende que a transpar\u00eancia deixou de ser opcional e passou a ser um fator estrutural da gest\u00e3o moderna. A ideia central \u00e9 que as empresas, sobretudo as pequenas e microempresas portuguesas, ainda vivem muito fechadas sobre si pr\u00f3prias, evitando expor informa\u00e7\u00e3o interna. Para ele, essa resist\u00eancia torna-se um bloqueio \u00e0 sustentabilidade, ao bem-estar organizacional e at\u00e9 \u00e0 qualidade da gest\u00e3o. Refor\u00e7a, tamb\u00e9m, v\u00e1rias vezes a ideia de que ESG deixou de ser um tema reputacional e passou a influenciar diretamente cr\u00e9dito, investimento e competitividade. A sustentabilidade surge aqui n\u00e3o como moda, mas como um fator econ\u00f3mico concreto.<\/p>\n<h4><strong>Bem-estar organizacional: de tend\u00eancia a prioridade de gest\u00e3o<\/strong><\/h4>\n<p>Outro tema transversal foi o papel do bem-estar e da felicidade organizacional na competitividade. Regina Cruz \u2013 <em>Founder<\/em> da Well-Being 3.8 \u2013 e Sofia Manso \u2013 CEO da Academia da Felicidade \u2013 convergiram na ideia de que o bem-estar deixou de ser uma iniciativa pontual para se tornar uma componente estrat\u00e9gica da gest\u00e3o.<\/p>\n<p>As especialistas apontaram benef\u00edcios claros: maior produtividade, reten\u00e7\u00e3o de talento e culturas organizacionais mais resilientes. No entanto, persistem obst\u00e1culos, nomeadamente a dificuldade de integrar estas m\u00e9tricas na tomada de decis\u00e3o ao mais alto n\u00edvel e a necessidade de alinhar lideran\u00e7a com prop\u00f3sito.<\/p>\n<p>Regina Cruz procura afastar a ideia de que bem-estar organizacional \u00e9 apenas um conjunto de iniciativas simb\u00f3licas. O conceito defendido \u00e9 que o bem-estar impacta diretamente produtividade, reten\u00e7\u00e3o, <em>performance<\/em> e resultados financeiros. A felicidade organizacional \u00e9 apresentada como dimens\u00e3o estrat\u00e9gica e n\u00e3o decorativa. Ela desmonta a vis\u00e3o superficial de bem-estar baseada apenas em <em>perks<\/em> corporativos. O foco est\u00e1 em cultura, rela\u00e7\u00f5es humanas, lideran\u00e7a, confian\u00e7a e seguran\u00e7a psicol\u00f3gica.<\/p>\n<p>Regina deixa claro que felicidade organizacional n\u00e3o substitui remunera\u00e7\u00e3o justa. O sal\u00e1rio digno \u00e9 condi\u00e7\u00e3o m\u00ednima. Mas introduz tamb\u00e9m o conceito de \u201csal\u00e1rio emocional\u201d: reconhecimento, ambiente humano, seguran\u00e7a psicol\u00f3gica e sentido de perten\u00e7a como complementos fundamentais \u00e0 compensa\u00e7\u00e3o financeira.<\/p>\n<p>Sofia Manso defende que o mercado de trabalho mudou profundamente. As empresas passaram a ser avaliadas pelos pr\u00f3prios candidatos, sobretudo pelas novas gera\u00e7\u00f5es. O conceito central \u00e9 que cultura organizacional, lideran\u00e7a e ambiente humano passaram a influenciar capacidade de atra\u00e7\u00e3o e reten\u00e7\u00e3o de talento. A especialista explica que felicidade organizacional deixou de ser um conjunto de iniciativas simb\u00f3licas e passou a integrar estrat\u00e9gia empresarial. O bem-estar aparece como fator diretamente ligado a inova\u00e7\u00e3o, produtividade e competitividade.<\/p>\n<p>O futuro, segundo ambas, passar\u00e1 por modelos mais personalizados, baseados em dados e fortemente ligados \u00e0 estrat\u00e9gia global das organiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<h4><strong>Fragilidades estruturais e desafios do tecido empresarial<\/strong><\/h4>\n<p>A an\u00e1lise da competitividade das empresas portuguesas trouxe tamb\u00e9m um olhar cr\u00edtico. Jorge Pisco \u2013 Presidente da Confedera\u00e7\u00e3o Portuguesa das Micro, Pequenas e M\u00e9dias Empresas \u2013 e Lu\u00eds Ceia \u2013 Vice-Presidente do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da AEP \u2013 Associa\u00e7\u00e3o Empresarial de Portugal \u2013 destacaram a menor solidez financeira das empresas nacionais face a cong\u00e9neres europeias.<\/p>\n<p>Jorge Pisco insiste que muitas pol\u00edticas p\u00fablicas ignoram a realidade concreta das microempresas portuguesas. Os empres\u00e1rios portugueses s\u00e3o retratados como algu\u00e9m que acumula fun\u00e7\u00f5es, vive pressionado financeiramente e sem tempo para forma\u00e7\u00e3o ou planeamento estrat\u00e9gico. O conceito central do discurso de Jorge Pisco \u00e9 a necessidade urgente de formar empres\u00e1rios. Na sua vis\u00e3o, muitas empresas n\u00e3o evoluem porque os pr\u00f3prios empres\u00e1rios nunca tiveram prepara\u00e7\u00e3o suficiente para gerir crescimento, risco, digitaliza\u00e7\u00e3o ou sustentabilidade.<\/p>\n<p>Lu\u00eds Ceia coloca o Estado como pe\u00e7a cr\u00edtica para melhorar competitividade. A burocracia, lentid\u00e3o administrativa e dificuldade de execu\u00e7\u00e3o p\u00fablica surgem como obst\u00e1culos ao crescimento empresarial. O conceito defendido \u00e9 que a competitividade nacional n\u00e3o depende apenas das empresas, mas tamb\u00e9m da efici\u00eancia institucional.<\/p>\n<p>Entre os fatores apontados est\u00e3o limita\u00e7\u00f5es estruturais, como a dimens\u00e3o do mercado e o contexto econ\u00f3mico, mas tamb\u00e9m lacunas ao n\u00edvel do planeamento financeiro e da prepara\u00e7\u00e3o para cen\u00e1rios adversos.<\/p>\n<p>Ainda assim, ambos sublinharam que existem oportunidades concretas de melhoria, sobretudo atrav\u00e9s de uma maior articula\u00e7\u00e3o entre os v\u00e1rios agentes do ecossistema \u2013 Estado, banca, universidades e empresas \u2013 e da aposta em iniciativas que reforcem a capacita\u00e7\u00e3o e a inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h4><strong>ESG: de obriga\u00e7\u00e3o a motor estrat\u00e9gico<\/strong><\/h4>\n<p>Um dos eixos centrais das confer\u00eancias foi a integra\u00e7\u00e3o dos crit\u00e9rios ESG nas decis\u00f5es empresariais. Ana Gouveia \u2013 ESG Lead na SIBS \u2013 destacou a evolu\u00e7\u00e3o do papel da sustentabilidade, que deixou de ser vista como \u201cinforma\u00e7\u00e3o n\u00e3o financeira\u201d para assumir um lugar central na avalia\u00e7\u00e3o de risco, investimento e financiamento.<\/p>\n<p>Ana Gouveia apresenta ESG como uma transforma\u00e7\u00e3o estrutural da gest\u00e3o empresarial. O ponto central do seu discurso \u00e9 que as empresas n\u00e3o podem limitar-se a preencher relat\u00f3rios; precisam de desenvolver conhecimento, processos internos, m\u00e9tricas e capacidade anal\u00edtica. O diagn\u00f3stico aparece como primeiro passo para qualquer evolu\u00e7\u00e3o s\u00e9ria nesta \u00e1rea.<\/p>\n<p>A especialista sublinhou que o grande desafio j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 apenas recolher dados, mas transform\u00e1-los em decis\u00f5es estrat\u00e9gicas. Existem cada vez mais ferramentas de apoio, entre as quais a da SIBS para as empresas reportarem dados ESG para a banca, que surgem como facilitadores dessa transi\u00e7\u00e3o, embora ainda exista um caminho a percorrer ao n\u00edvel da literacia organizacional e integra\u00e7\u00e3o sist\u00e9mica. O conceito defendido \u00e9 muito claro: ESG tornou-se crit\u00e9rio de acesso ao mercado. Empresas que n\u00e3o consigam demonstrar pr\u00e1ticas ambientais, sociais e de governan\u00e7a adequadas come\u00e7am a ser exclu\u00eddas de concursos, cadeias de valor, exporta\u00e7\u00f5es e financiamento banc\u00e1rio.<\/p>\n<p>No Porto, Cl\u00e1udia Teixeira de Almeida \u2013 <em>Head of Sustainability<\/em> no Banco BPI \u2013 refor\u00e7ou esta ideia do ponto de vista da banca. Segundo a respons\u00e1vel do Banco BPI, a sustentabilidade j\u00e1 influencia diretamente o acesso ao cr\u00e9dito, sendo cada vez mais determinante na avalia\u00e7\u00e3o de risco. Ainda assim, muitas empresas enfrentam dificuldades na fase inicial da jornada ESG, sobretudo por falta de orienta\u00e7\u00e3o clara e estrutura interna.<\/p>\n<p>Cl\u00e1udia Teixeira de Almeida apresenta o ESG como requisito obrigat\u00f3rio para perman\u00eancia no mercado. A ideia central \u00e9 que cadeias de valor, banca, investidores e reguladores passaram a exigir informa\u00e7\u00e3o ESG como crit\u00e9rio b\u00e1sico de relacionamento empresarial. A respons\u00e1vel do BPI refor\u00e7a que aus\u00eancia de informa\u00e7\u00e3o gera mais desconfian\u00e7a do que dados imperfeitos. O conceito central \u00e9 que transpar\u00eancia passou a ser sinal de maturidade e capacidade de gest\u00e3o.<\/p>\n<h4><strong>Um novo paradigma empresarial<\/strong><\/h4>\n<p>As duas confer\u00eancias deixaram uma mensagem clara: o futuro das empresas passa por uma abordagem hol\u00edstica, onde sustentabilidade financeira, crit\u00e9rios ESG e bem-estar organizacional n\u00e3o s\u00e3o dimens\u00f5es isoladas, mas pilares interdependentes.<\/p>\n<p>Num contexto de incerteza crescente, as organiza\u00e7\u00f5es que conseguirem alinhar estes vetores estar\u00e3o melhor preparadas para enfrentar desafios e aproveitar oportunidades. E, como ficou evidente em Lisboa e no Porto, esse caminho j\u00e1 come\u00e7ou \u2013 com a SCORING a assumir um papel ativo na sua constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201c<em>N\u00e3o faltam as condi\u00e7\u00f5es, falta velocidade e falta escala<\/em>.\u201d A sustentabilidade corporativa \u00e9 apresentada como capacidade competitiva em cen\u00e1rios inst\u00e1veis. Antes, resili\u00eancia significava sobreviver \u00e0s crises; hoje significa adaptar-se e ganhar vantagem competitiva em ambientes de incerteza.<\/p>\n<h4><strong>A nova plataforma de sustentabilidade \u2013 ESG Lab, da SCORING<\/strong><\/h4>\n<p>Ap\u00f3s os pain\u00e9is de discuss\u00e3o com especialistas, foi apresentada a plataforma ESG Lab, da SCORING. O ESG Lab \u00e9 uma plataforma concebida para apoiar as empresas ao longo da sua jornada de sustentabilidade. Atrav\u00e9s desta solu\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel avaliar o n\u00edvel de maturidade ESG da organiza\u00e7\u00e3o, identificar oportunidades de melhoria e promover a evolu\u00e7\u00e3o do seu desempenho sustent\u00e1vel. A plataforma permite ainda mapear e envolver as partes interessadas de forma estruturada e eficaz, identificar os temas materiais com base no princ\u00edpio da dupla materialidade.<\/p>\n<p>Com o apoio do ESG Lab, as empresas conseguem desenvolver uma estrat\u00e9gia de sustentabilidade, acompanhada por um plano de a\u00e7\u00e3o orientado para a implementa\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica das iniciativas definidas. Adicionalmente, a plataforma facilita a prepara\u00e7\u00e3o do primeiro relat\u00f3rio ESG, assegurando alinhamento com os principais referenciais internacionais.<\/p>\n<p>Complementarmente \u00e0 plataforma, a SCORING disponibiliza servi\u00e7os de forma\u00e7\u00e3o e consultoria especializada, que podem funcionar de forma pontual ou atrav\u00e9s de um acompanhamento cont\u00ednuo e integrado. Desta forma, a empresa mant\u00e9m autonomia na gest\u00e3o e evolu\u00e7\u00e3o do seu percurso ESG, assegurando simultaneamente que toda a informa\u00e7\u00e3o e dados permanecem sob o seu controlo.<\/p>\n<h4><strong>O novo Programa <\/strong><strong>de Reconhecimento Empresarial<\/strong><\/h4>\n<p>Carlos Gouveia encerrou as confer\u00eancias com a apresenta\u00e7\u00e3o do novo Programa de Reconhecimento Empresarial, a disponibilizar brevemente, com o objetivo de distinguir organiza\u00e7\u00f5es que evidenciem um desempenho relevante e consistente nas tr\u00eas vertentes: Sustentabilidade Financeira e da Gest\u00e3o, Desempenho ESG (Ambiental, Social e de Governa\u00e7\u00e3o), e Bem-Estar e Felicidade Organizacional.<\/p>\n<p>A integra\u00e7\u00e3o destas tr\u00eas dimens\u00f5es permite \u00e0s organiza\u00e7\u00f5es ir al\u00e9m da sustentabilidade financeira tradicional, abrangendo as vertentes ambiental, social e de governa\u00e7\u00e3o, essenciais para o cumprimento das exig\u00eancias legais e regulamentares, para a resposta \u00e0s expectativas do mercado e das partes interessadas, bem como para o acesso a financiamento em condi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis e para a cria\u00e7\u00e3o de valor reputacional. A dimens\u00e3o do Bem-Estar e Felicidade Organizacional promove o envolvimento, a motiva\u00e7\u00e3o e a reten\u00e7\u00e3o dos colaboradores e demais trabalhadores, contribuindo para a redu\u00e7\u00e3o da rotatividade e para a melhoria do desempenho organizacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cN\u00e3o faltam as condi\u00e7\u00f5es, falta velocidade e falta escala.\u201d A sustentabilidade corporativa \u00e9 apresentada como capacidade competitiva em cen\u00e1rios inst\u00e1veis. 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