As perguntas que uma PME deve fazer ao iniciar 2026
Com 2025 já concluído, é natural olhar para trás e refletir sobre o ano que passou. Ao observar o que marcou as PME portuguesas, parece-me evidente que muitas empresas terminaram o ano a precisar de rever prioridades antes de definir os objetivos para 2026. Com base nas tendências e relatórios recentes sobre PME em Portugal e na Europa, reuni algumas perguntas que considero essenciais para preparar o novo ano.
Ao longo de 2025, o contexto económico e empresarial manteve-se exigente para as empresas portuguesas. Custos elevados, dificuldades na gestão de pessoas e pressão sobre margens tornaram a gestão mais complexa e obrigaram muitas organizações a recentrar o foco na sustentabilidade do negócio, mais do que na ambição de crescimento. Relatórios recentes indicam que desafios observados em 2024, como a incerteza económica, restrições de financiamento e variações nos custos de energia e matérias-primas, continuaram a afetar o tecido empresarial em 2025.
A primeira pergunta que me parece inevitável é: o que correu pior em 2025 e porquê? Nem tudo se explica pela conjuntura. Em vários casos, decisões adiadas, falta de acompanhamento financeiro ou processos pouco eficientes tiveram um impacto maior do que o esperado. Reconhecer esses pontos é essencial para não os repetir agora, em 2026.
Segue-se outra questão que surge naturalmente: onde estamos a perder tempo ou dinheiro sem nos apercebermos? Pequenos custos que se acumulam, tarefas repetitivas que desgastam as equipas, indicadores pouco claros que dificultam o controlo. Eficiência não é fazer mais, é desperdiçar menos.
A gestão de pessoas continua a ser um tema central. Temos a equipa certa para 2026? Não apenas em número, mas em competências, funções e nível de desgaste. Muitas empresas terminaram 2025 com equipas cansadas e lideranças sobrecarregadas, algo que não pode ser ignorado ao planear o futuro.
Outra pergunta impõe-se: o que estamos a adiar há demasiado tempo? Investimentos, reorganizações internas, mudanças estratégicas. Adiar pode ser confortável no curto prazo, mas tende a cobrar o seu preço mais tarde.
E, por fim, talvez a pergunta mais importante: o que é, de facto, sustentável para a empresa em 2026? Crescer, investir ou diversificar só faz sentido se houver base financeira, organização interna e capacidade de acompanhamento.
Começar 2026 não resolve problemas por si só. Mas parar para pensar, fazer e responder às perguntas certas pode mudar a forma de encarar o futuro. Talvez esta seja uma das maiores lições de 2025: gerir bem começa, muitas vezes, por saber parar, refletir e questionar.
Feliz 2026!
Alguns dos relatórios e materiais consultados para esta crónica:
OECD – Financing SMEs and Entrepreneurs Scoreboard 2025
Banco Europeu de Investimento (EIB) – EIB Investment Survey 2024
Comissão Europeia – Relatório Anual sobre as PME Europeias 2024/2025
Sage – Desafios das PME: custos, eficiência e sustentabilidade
Small Business Charter – HR challenges for SMEs
Chalifour Consulting – Strategic decision-making and growth challenges for SMEs