Ergonomia e Postura no Trabalho – boas práticas de saúde física e mental num escritório

Ergonomia – Saúde no local de trabalho (para trabalhadores de escritório)
A nível laboral estamos a assistir a transformações significativas impulsionadas pelas inovações tecnológicas. Na procura por otimizar a gestão do tempo e aumentar a produtividade, as empresas têm investido na informatização dos ambientes laborais, adotando o uso do computador, como ferramenta fundamental na rotina de trabalho.
Neste contexto, o trabalho manual e o esforço físico foram reduzidos, contudo, a exigência do trabalho mental e o nível de atenção necessário para lidar com o fluxo de informações recebidas e transmitidas aumentaram significativamente. Esta realidade trouxe várias vantagens para os processos produtivos, mas também provocou problemas de saúde e de segurança nos seus usuários, pela utilização excessiva do computador, durante períodos prolongados.
Neste sentido, inúmeras empresas reconhecem a importância de desenvolver programas e iniciativas para melhorar a saúde e o bem-estar dos seus trabalhadores, incorporando-as nas suas políticas de recursos humanos. Como tal, considera-se cada vez mais, a Ergonomia.
A Ergonomia caracteriza-se como o estudo da relação entre o trabalhador e o seu ambiente laboral e tem por objetivo transformar o posto de trabalho e as suas tarefas, adaptando à sua realidade. Desta forma, procura desenvolver estratégias que promovam melhorias nas condições de trabalho, tornando as atividades laborais mais humanizadas e proporcionando condições físicas e psicológicas adequadas e saudáveis.
Ainda assim, reconhecem-se distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho, sendo a sua etiologia multifatorial, tais como: fatores biomecânicos (uso repetitivo de grupos musculares, manutenção de postura incorreta por períodos prolongados, movimentos ergonomicamente inadequados, tensão física e emocional e/ou variações extremas de temperatura); organizacionais do trabalho (exigência de produção imposta, atitudes autoritárias por parte da chefia, modos de avaliação e punição para o controle da produção) e psicossociais (sedentarismo, repouso insuficiente, aumento da jornada de trabalho).
A dor é o sintoma mais preponderante e relevante destas afeções, de forma a gerar angústia, podendo até provocar quadros de depressão. O indivíduo, em virtude do sintoma doloroso, pode sofrer o afastamento do local de trabalho.
Assim, as perturbações músculo-esqueléticas são uma das causas mais frequentes de absentismo no trabalho, podendo afetar diretamente a produtividade e gerar custos adicionais para as empresas.
Ao longo dos anos, a ergonomia tem vindo a reforçar a sua importância, dada a preocupação crescente das empresas com o desempenho, conforto, saúde, segurança e bem-estar dos trabalhadores, bem como com a redução dos índices de acidentes e doenças do trabalho. Uma boa prática ergonómica, associada a um posto de trabalho saudável é um local de trabalho produtivo, que melhora a saúde e o bem-estar do trabalhador.
Impacto da Ergonomia nas Empresas
As instituições e empresas estão cada vez mais empenhadas na criação de um dinamismo facilitador para a sua evolução, aumento da produtividade e que impulsione a sua economia, ou seja, criar estratégias que otimizem tempo e o alcance das suas metas. Nesse contexto, um dos fatores de grande importância e influência é a ergonomia, enquanto ferramenta multidisciplinar e holística que abrange os mais diversos setores e componentes da instituição ou empresa, suas possíveis consequências e interações, impactando desde aspetos físicos, cognitivos e organizacionais.
O desempenho produtivo de uma organização depende das condições ergonómicas que ela oferece, visando reduzir a fadiga, o stress, os erros, os acidentes de trabalho e as doenças profissionais. Ao melhorar essas condições, proporciona-se maior segurança, satisfação e saúde aos trabalhadores, o que contribui para uma melhor qualidade de vida, bem como maior motivação e empenho no trabalho. Além disso, promove-se uma melhoria nas comunicações entre os membros da equipa e nos fluxos de trabalho.
Para uma entidade empregadora, a aplicação de métodos ergonómicos é essencial, pois reduz o absenteísmo, aumenta a produtividade, a qualidade do produto, a motivação e a qualidade de vida no trabalho, proporcionando mais do que um posto de trabalho melhor, mas também uma vida melhor no trabalho. Permite ainda levar a organização a um crescente desenvolvimento e contribui para que esta permaneça competitiva e alcance o sucesso.
Papel da Fisioterapia e da Osteopatia
Sabemos que a maior parte das lesões não tem uma origem traumática, mas são um efeito de uma postura incorreta ao longo da nossa infância, adolescência e vida adulta. Em todas estas fases o nosso corpo sofre alterações e vai-se adaptando ao nosso meio ambiente, às nossas tarefas do dia-a-dia e aos movimentos que realizamos repetidamente.
Posições inadequadas durante o trabalho, aliadas ao uso excessivo do computador e a ambientes laborais inadequados, estão entre as principais causas de alterações posturais.
Uma postura correta deve ser funcional, esteticamente agradável, confortável e sem provocar fadiga muscular, para isso é necessário existir um bom equilíbrio muscular de forma a proteger as estruturas de suporte do corpo contra lesões ou alterações morfológicas.
Tendo em vista a maior preocupação com a saúde dos trabalhadores, constata-se a necessidade da realização de ações eficazes que eliminem e/ou reduzam os processos de saúde-adoecimento. A Fisioterapia e a Osteopatia atuam na prevenção, recuperação e manutenção da saúde do trabalhador, estando relacionada com o conhecimento e domínio de várias áreas e disciplinas, como por exemplo: ergonomia, biomecânica, patologia, fisiologia, anatomia, exercícios laborais, reabilitação de queixas ou desconfortos.
A atuação destes profissionais poderá ser desenvolvida de duas formas: Preventiva e Curativa.
Nas ações preventivas, procura-se incentivar à criação de novos hábitos de vida, de forma a gerar um bem-estar físico e emocional no ambiente de trabalho. Estas medidas englobam diversas atividades, tais como: aplicação de questionários; intervenções ergonómicas nos postos de trabalho; avaliação e conscientização postural; elaboração de séries com exercícios laborais; realização de workshops sobre assuntos diversos; elaboração de folhetos, jornais, informativos abordando temas variados relacionados à saúde; formação de grupos para atividades práticas e entre outros.
No que se refere às ações curativas, observa-se um aumento na procura por tratamentos, seja em clínicas, em domicílio ou até mesmo nos locais de trabalho. Algumas empresas já implementaram os tratamentos no próprio ambiente laboral, de forma a evitar deslocações, promovendo a comodidade do seu trabalhador. Esta intervenção gera a redução dos custos organizacionais e operacionais, diminui o número de faltas ao trabalho, aumenta a produtividade e lucro das organizações.
Recomendações gerais para boas práticas de saúde e bem-estar no posto de trabalho
Ao projetar um posto de trabalho, é essencial ter em conta as diferenças físicas individuais de cada pessoa, de forma a evitar espaços inadequados que possam prejudicar o desempenho do trabalhador ou até colocar em risco a sua saúde e segurança. A utilização de produtos ergonómicos tem-se revelado uma mais-valia. Assim, devemos seguir as seguintes recomendações:
- Definir um local de trabalho confortável e ergonómico, considerando os seguintes aspetos: utilizar uma cadeira ajustável, com altura regulável e apoio de braços; as coxas devem ficar apoiadas, sem compressão da região posterior dos joelhos, com um ângulo entre os 90˚ e os 100˚; o encosto deve, se possível, ser móvel para acompanhar o movimento das costas; os pés devem estar sempre apoiados no chão ou devem usar os suportes para apoiar os pés; a borda superior do monitor deverá ficar na linha dos seus olhos; colocar uma superfície inclinada para leituras, de forma a aproximar o trabalho dos olhos e evitar a curvatura do tronco; a distância entre o monitor e o trabalhador deverá ser aproximadamente o comprimento dos membros superiores do utilizador; utilizar teclado e rato ergonómicos, com suporte para o punho.
- Ambiente leve e organizado, com materiais de uso frequente perto do corpo. Com isto, pretendemos diminuir a probabilidade de distrações, desconcentração e elimina a sensação de tensão e desconforto. É importante manter o posto de trabalho limpo, arrumado e sem materiais desnecessários que possam comprometer o desempenho ou até mesmo serem foco de risco acrescido para a segurança do trabalhador.
- Manter uma iluminação adequada do espaço, pois aumenta a boa disposição e contribui para o cuidado da visão. Privilegiar a luz natural, sem que esta incida diretamente no monitor. Controlar também os níveis de ruído, conforto térmico e ventilação.
- Correção da postura, proporcionando variações de tarefas e atividades. Os alcances excessivos com os braços devem ser limitados de forma a minimizar a inclinação ou rotação do corpo. Para isso, devemos colocar os materiais e ferramentas de uso mais frequente mais perto do corpo.
- Pausas, pelo menos de 2 em 2 horas, com exercícios simples e de alongamentos (de curta duração), durante a jornada de trabalho é fundamental. Também já é usual, a ginástica laboral que promove a circulação sanguínea, o relaxamento da musculatura envolvida nas tarefas e atividades de trabalho, a mobilidade articular e a correção da postura corporal global. Além disso, pode melhorar o ânimo e a envolvência no trabalho e promover a socialização entre a equipa.
- Prática de exercício regular e dieta alimentar adequada é essencial, pois o excesso de peso associado ao sedentarismo e posturas repetidas traz muitas complicações para a sua coluna e articulações. O exercício físico vai permitir manter um bom equilíbrio muscular, aumentar a sua resistência, energia e bem-estar.
Como reflexão final, a ergonomia no trabalho é indispensável para assegurar a saúde, segurança e produtividade dos colaboradores. Este é um campo de estudo fundamental, cuja relevância tem vindo a crescer no contexto empresarial. Investir no bem-estar dos funcionários significa criar ambientes de trabalho mais acolhedores e funcionais, que, como resultado, impulsionam o desempenho e promovem melhores resultados.
Também compreendemos que, a Fisioterapia e a Osteopatia desempenham um papel crucial na promoção da ergonomia no local de trabalho. Com a sua profunda compreensão da mecânica do corpo humano e da forma como este interage com o ambiente, estes profissionais estão particularmente bem preparados para orientar e implementar boas práticas ergonómicas.