“Os Desafios da Competitividade e Resiliência Empresarial”
As Conferências SCORING onde se falou de competitividade, sustentabilidade e felicidade organizacional
Em abril, Lisboa e Porto tornaram-se palco de uma reflexão estratégica sobre o futuro do tecido empresarial português. A SCORING reuniu especialistas de diferentes áreas para duas conferências sob o tema “Os Desafios da Competitividade e Resiliência Empresarial”, que evidenciaram uma mudança clara: hoje, a performance financeira já não pode ser dissociada da sustentabilidade e do bem-estar organizacional.
A primeira sessão decorreu a 16 de abril no Centro Cultural de Belém, reunindo líderes empresariais e especialistas em ESG e gestão. Uma semana depois, a 23 de abril, o debate seguiu para o Casa da Música, ampliando o alcance da discussão e reforçando a importância de um diálogo nacional sobre estes temas.
Ao promover estas conferências, a SCORING reforça o seu posicionamento como um player relevante na interseção entre gestão, sustentabilidade e bem-estar organizacional. A empresa tem vindo a destacar-se pela análise do tecido empresarial e pela criação de ferramentas que apoiam a tomada de decisão estratégica.
A SCORING aproveitou ainda para apresentar a plataforma ESG Lab e o novo Programa de Reconhecimento Empresarial para empresas que evidenciem serem competitivas e resilientes, assente em três pilares: sustentabilidade financeira, desempenho ESG, e bem-estar e felicidade organizacional. Mas sobre estes lançamentos, abordaremos mais à frente, neste artigo. Para já, vejamos o que foi discutido nas Conferências.
Cada uma das conferências dividiu-se em 3 áreas temáticas, discutidas com especialistas na área, moderadas por Calos Gouveia, CEO da SCORING, às quais se seguiram a apresentação dos novos produtos atrás referidos.
Carlos Gouveia defende que a transparência deixou de ser opcional e passou a ser um fator estrutural da gestão moderna. A ideia central é que as empresas, sobretudo as pequenas e microempresas portuguesas, ainda vivem muito fechadas sobre si próprias, evitando expor informação interna. Para ele, essa resistência torna-se um bloqueio à sustentabilidade, ao bem-estar organizacional e até à qualidade da gestão. Reforça, também, várias vezes a ideia de que ESG deixou de ser um tema reputacional e passou a influenciar diretamente crédito, investimento e competitividade. A sustentabilidade surge aqui não como moda, mas como um fator económico concreto.
Bem-estar organizacional: de tendência a prioridade de gestão
Outro tema transversal foi o papel do bem-estar e da felicidade organizacional na competitividade. Regina Cruz – Founder da Well-Being 3.8 – e Sofia Manso – CEO da Academia da Felicidade – convergiram na ideia de que o bem-estar deixou de ser uma iniciativa pontual para se tornar uma componente estratégica da gestão.
As especialistas apontaram benefícios claros: maior produtividade, retenção de talento e culturas organizacionais mais resilientes. No entanto, persistem obstáculos, nomeadamente a dificuldade de integrar estas métricas na tomada de decisão ao mais alto nível e a necessidade de alinhar liderança com propósito.
Regina Cruz procura afastar a ideia de que bem-estar organizacional é apenas um conjunto de iniciativas simbólicas. O conceito defendido é que o bem-estar impacta diretamente produtividade, retenção, performance e resultados financeiros. A felicidade organizacional é apresentada como dimensão estratégica e não decorativa. Ela desmonta a visão superficial de bem-estar baseada apenas em perks corporativos. O foco está em cultura, relações humanas, liderança, confiança e segurança psicológica.
Regina deixa claro que felicidade organizacional não substitui remuneração justa. O salário digno é condição mínima. Mas introduz também o conceito de “salário emocional”: reconhecimento, ambiente humano, segurança psicológica e sentido de pertença como complementos fundamentais à compensação financeira.
Sofia Manso defende que o mercado de trabalho mudou profundamente. As empresas passaram a ser avaliadas pelos próprios candidatos, sobretudo pelas novas gerações. O conceito central é que cultura organizacional, liderança e ambiente humano passaram a influenciar capacidade de atração e retenção de talento. A especialista explica que felicidade organizacional deixou de ser um conjunto de iniciativas simbólicas e passou a integrar estratégia empresarial. O bem-estar aparece como fator diretamente ligado a inovação, produtividade e competitividade.
O futuro, segundo ambas, passará por modelos mais personalizados, baseados em dados e fortemente ligados à estratégia global das organizações.
Fragilidades estruturais e desafios do tecido empresarial
A análise da competitividade das empresas portuguesas trouxe também um olhar crítico. Jorge Pisco – Presidente da Confederação Portuguesa das Micro, Pequenas e Médias Empresas – e Luís Ceia – Vice-Presidente do Conselho de Administração da AEP – Associação Empresarial de Portugal – destacaram a menor solidez financeira das empresas nacionais face a congéneres europeias.
Jorge Pisco insiste que muitas políticas públicas ignoram a realidade concreta das microempresas portuguesas. Os empresários portugueses são retratados como alguém que acumula funções, vive pressionado financeiramente e sem tempo para formação ou planeamento estratégico. O conceito central do discurso de Jorge Pisco é a necessidade urgente de formar empresários. Na sua visão, muitas empresas não evoluem porque os próprios empresários nunca tiveram preparação suficiente para gerir crescimento, risco, digitalização ou sustentabilidade.
Luís Ceia coloca o Estado como peça crítica para melhorar competitividade. A burocracia, lentidão administrativa e dificuldade de execução pública surgem como obstáculos ao crescimento empresarial. O conceito defendido é que a competitividade nacional não depende apenas das empresas, mas também da eficiência institucional.
Entre os fatores apontados estão limitações estruturais, como a dimensão do mercado e o contexto económico, mas também lacunas ao nível do planeamento financeiro e da preparação para cenários adversos.
Ainda assim, ambos sublinharam que existem oportunidades concretas de melhoria, sobretudo através de uma maior articulação entre os vários agentes do ecossistema – Estado, banca, universidades e empresas – e da aposta em iniciativas que reforcem a capacitação e a inovação.
ESG: de obrigação a motor estratégico
Um dos eixos centrais das conferências foi a integração dos critérios ESG nas decisões empresariais. Ana Gouveia – ESG Lead na SIBS – destacou a evolução do papel da sustentabilidade, que deixou de ser vista como “informação não financeira” para assumir um lugar central na avaliação de risco, investimento e financiamento.
Ana Gouveia apresenta ESG como uma transformação estrutural da gestão empresarial. O ponto central do seu discurso é que as empresas não podem limitar-se a preencher relatórios; precisam de desenvolver conhecimento, processos internos, métricas e capacidade analítica. O diagnóstico aparece como primeiro passo para qualquer evolução séria nesta área.
A especialista sublinhou que o grande desafio já não é apenas recolher dados, mas transformá-los em decisões estratégicas. Existem cada vez mais ferramentas de apoio, entre as quais a da SIBS para as empresas reportarem dados ESG para a banca, que surgem como facilitadores dessa transição, embora ainda exista um caminho a percorrer ao nível da literacia organizacional e integração sistémica. O conceito defendido é muito claro: ESG tornou-se critério de acesso ao mercado. Empresas que não consigam demonstrar práticas ambientais, sociais e de governança adequadas começam a ser excluídas de concursos, cadeias de valor, exportações e financiamento bancário.
No Porto, Cláudia Teixeira de Almeida – Head of Sustainability no Banco BPI – reforçou esta ideia do ponto de vista da banca. Segundo a responsável do Banco BPI, a sustentabilidade já influencia diretamente o acesso ao crédito, sendo cada vez mais determinante na avaliação de risco. Ainda assim, muitas empresas enfrentam dificuldades na fase inicial da jornada ESG, sobretudo por falta de orientação clara e estrutura interna.
Cláudia Teixeira de Almeida apresenta o ESG como requisito obrigatório para permanência no mercado. A ideia central é que cadeias de valor, banca, investidores e reguladores passaram a exigir informação ESG como critério básico de relacionamento empresarial. A responsável do BPI reforça que ausência de informação gera mais desconfiança do que dados imperfeitos. O conceito central é que transparência passou a ser sinal de maturidade e capacidade de gestão.
Um novo paradigma empresarial
As duas conferências deixaram uma mensagem clara: o futuro das empresas passa por uma abordagem holística, onde sustentabilidade financeira, critérios ESG e bem-estar organizacional não são dimensões isoladas, mas pilares interdependentes.
Num contexto de incerteza crescente, as organizações que conseguirem alinhar estes vetores estarão melhor preparadas para enfrentar desafios e aproveitar oportunidades. E, como ficou evidente em Lisboa e no Porto, esse caminho já começou – com a SCORING a assumir um papel ativo na sua construção.
“Não faltam as condições, falta velocidade e falta escala.” A sustentabilidade corporativa é apresentada como capacidade competitiva em cenários instáveis. Antes, resiliência significava sobreviver às crises; hoje significa adaptar-se e ganhar vantagem competitiva em ambientes de incerteza.
A nova plataforma de sustentabilidade – ESG Lab, da SCORING
Após os painéis de discussão com especialistas, foi apresentada a plataforma ESG Lab, da SCORING. O ESG Lab é uma plataforma concebida para apoiar as empresas ao longo da sua jornada de sustentabilidade. Através desta solução, é possível avaliar o nível de maturidade ESG da organização, identificar oportunidades de melhoria e promover a evolução do seu desempenho sustentável. A plataforma permite ainda mapear e envolver as partes interessadas de forma estruturada e eficaz, identificar os temas materiais com base no princípio da dupla materialidade.
Com o apoio do ESG Lab, as empresas conseguem desenvolver uma estratégia de sustentabilidade, acompanhada por um plano de ação orientado para a implementação prática das iniciativas definidas. Adicionalmente, a plataforma facilita a preparação do primeiro relatório ESG, assegurando alinhamento com os principais referenciais internacionais.
Complementarmente à plataforma, a SCORING disponibiliza serviços de formação e consultoria especializada, que podem funcionar de forma pontual ou através de um acompanhamento contínuo e integrado. Desta forma, a empresa mantém autonomia na gestão e evolução do seu percurso ESG, assegurando simultaneamente que toda a informação e dados permanecem sob o seu controlo.
O novo Programa de Reconhecimento Empresarial
Carlos Gouveia encerrou as conferências com a apresentação do novo Programa de Reconhecimento Empresarial, a disponibilizar brevemente, com o objetivo de distinguir organizações que evidenciem um desempenho relevante e consistente nas três vertentes: Sustentabilidade Financeira e da Gestão, Desempenho ESG (Ambiental, Social e de Governação), e Bem-Estar e Felicidade Organizacional.
A integração destas três dimensões permite às organizações ir além da sustentabilidade financeira tradicional, abrangendo as vertentes ambiental, social e de governação, essenciais para o cumprimento das exigências legais e regulamentares, para a resposta às expectativas do mercado e das partes interessadas, bem como para o acesso a financiamento em condições mais favoráveis e para a criação de valor reputacional. A dimensão do Bem-Estar e Felicidade Organizacional promove o envolvimento, a motivação e a retenção dos colaboradores e demais trabalhadores, contribuindo para a redução da rotatividade e para a melhoria do desempenho organizacional.